Estive com o Papa duas vezes e foi assim

BENTO XVI – Um testemunho:

A primeira delas foi aquando da visita do então Papa à cidade do Porto no ano de 2010. Após a Missa, celebrada numa Avenida dos Aliados repleta de fiéis e de admiradores de Bento XVI, fui como tantas outras pessoas despedir-me do Papa à Rua Faria de Guimarães.
Pode ser apenas impressão minha, mas quando o “Papamóvel” passou diante de mim, senti que Bento XVI me olhou e num tímido sorriso me abençoou. Não esquecerei aquele olhar.
Um ano depois, na Jornada Mundial da Juventude em Madrid, juntamente com uma impressionante multidão de jovens católicos estive em oração com o Papa Bento, durante uma vigília de adoração debaixo de uma forte tempestade.
Bento XVI, vestido de branco, frágil e forte ao mesmo tempo, recusou o conselho para se resguardar e permaneceu connosco em adoração ao Santíssimo Sacramento. Quando o vento e a chuva serenaram, ouvi claramente o que ele nos disse: «vivemos juntos uma grande aventura nesta noite e permanecemos juntos firmes na fé».
Uma frase luminosa, entre tantas outras que consigo parafrasear, com que Bento XVI tornava a fé em Cristo cativante, profunda e viva. Não serão esquecidas.
Nunca tive o privilégio de dizer face a face a Bento XVI o quanto o admirava como cristão e como teólogo. Nunca tive a sorte de poder segurar a sua mão e de lhe agradecer o bem que fez a mim e a muitos na Igreja.
Mas sempre o senti muito próximo de mim. Sempre que abro uma das suas obras teológicas, ou leio uma das inúmeras homilias ou cartas apostólicas que escreveu, sinto-o muito próximo.
Ao ler Bento XVI encontrei uma “alma irmã”, que me compreende, que compartilha as alegrias, as esperanças e as dores dos cristãos e não só, e que compreende todos os que procuram ver o rosto de Cristo, com fé, com inteligência e com amor. Maravilhosamente, na oração, dele e minha, sempre o senti próximo.
Que Bento XVI, batizado Joseph Ratzinger, esteja agora a contemplar a face de Deus, a quem adorou, amou e serviu nos seus irmãos e irmãs. Que o Senhor, que continuamente lhe disse “não temas, segura a minha mão” o receba agora nos seus braços.
Que descanse em paz. Não será esquecido.
Padre João Pedro Ribeiro