Adeus Vaz Pinto, padre e jesuíta

Não vou dizer o que todos já sabem, a saber, que o Padre António Vaz Pinto, da Companhia de Jesus, morreu. Tinha 80 anos de vida e mais de meio século na Companhia de Jesus. Sim, o Padre António, hoje, deixou definitivamente para trás a vida que temos aqui. Portanto, ele passou para o outro lado da História.
E é tudo o que teria para dizer não fosse o meu desejo de acrescentar: que foi este homem, então um ainda relativamente jovem jesuíta, quem Deus colocou no meu caminho e no meio de duríssimas batalhas me ajudou a decidir; que ambos vivemos na mesma comunidade, em Coimbra, e sempre admirei o modo como ele falava de Deus, desafiava crentes e não crentes, ousava pensar em categorias que, embora dentro, pareciam já fora do tempo; que sempre me impressionou a sua capacidade de ação, a sua dedicação aos outros, a sua vontade de construir parcelas de um Reino que não era o seu, mas o de Deus.
O p. António Vaz Pinto era um verdadeiro «carácter», um homem cheio de força e muita boa-vontade. Mas também inteligente e destemido. Por vezes, ousado. Como os apóstolos, de uma forma ou de outra, cada um assumindo a sua, têm de ser. Portanto, o p. Vaz Pinto, paradigma de vitalidade e ação na contemplação, partiu desta vida e deixou este nosso mundo.
Aparentemente, estamos agora, todos os que o conhecemos, mais pobres, e o mundo sente-se de alguma forma mais caído para o lado do vazio. Mas pela Fé sabemos que não é só assim: o Padre Vaz Pinto vai continuar a ser fonte de inspiração. Possivelmente, também sinal de contradição.
Mas uma coisa permanece certa: a Igreja em Portugal precisa de muitas pessoas que o sejam como o foi este homem, que sempre estimei, mesmo quando dele discordei, ou por ele me senti incompreendido, coisa de somenos importância pois ao seu círculo não pertencia quem queria, coisa que eu nunca quis nem precisei; sim, a Igreja em Portugal precisa de homens e mulheres que à imagem de António Vaz Pinto sejam capazes de integrar Ação e Contemplação, Oração e Vida, Pensamento puro e Reflexão concreta.
O padre Vaz Pinto vai fazer-nos falta, o que quer dizer uma coisa sobretudo: é chegada, mais uma vez, a hora de assumir o que dele e do seu luminoso testemunho cada um/a ainda tem, ou leva, dentro de si. Naturalmente, para o maior bem da Igreja e da Sociedade de que fazemos parte integrante. E termino, desejando o que deixou de ser preciso, e é isto: que ao nosso caro Padre António Vaz Pinto, como de resto sempre fiz questão de o nomear, o Senhor da Vida conceda já o Prémio que a sua Fé, intensa e diligente, sempre e mais que tudo o levou a esperar e, por Ele, a tanto trabalhar.
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 Por:   João J. Vila-Chã

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NOTA – nos meus primeiros passos na Rádio Renascença cruzei-me com o Padre Vaz Pinto e com o desafio da sua inteligência e também com a provocação do seu sorriso. Continuemos a sorrir. (Arnaldo Meireles)
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