Oleg Sentsov filma agora a guerra depois de sair da prisão de Putin

Oleg Sentsov foi enviado para uma prisão na Sibéria, no Extremo Oriente da Rússia, e dela foi foi libertado em 2019. Agora filma a guerra desde Fevereiro: “Eu tive várias vidas”, diz Oleg Sentsov. Ontem gravava filmes renomados internacionalmente, agora está na linha de frente do combate na Ucrânia com a convicção de que nada é mais importante do que defender o seu país da agressão russa.

Imponente no seu traje militar, o cineasta de 46 anos, membro de uma unidade das forças especiais ucranianas na região de Kramatorsk, contou o caminho que percorreu do cinema às prisões de Vladimir Putin e depois às trincheiras do Donbass.

“Tive várias vidas e não me arrependo de nada”, disse ele em entrevista à AFP durante seu dia de folga em Kramatorsk, o centro administrativo da Ucrânia onde a guerra ocorre há meses.

Sentsov, diretor dos filmes Gamer (2011) e Rhino, exibidos no Festival de Veneza em setembro passado, sempre foi um homem comprometido.

Ativo em Kiev no movimento pró-europeu Maidan no inverno de 2013-14, que causou a saída de um presidente ucraniano pró-russo, então na Crimeia, de onde ele é, anexada por Moscovo em 2014, ele foi preso no mesmo ano e condenado na Rússia a 20 anos de prisão por “preparação de atos terroristas”.

Enviado para uma prisão na Sibéria, no Extremo Oriente da Rússia, o cineasta foi libertado em 2019 numa troca de prisioneiros entre Ucrânia e Rússia.

O seu caso motivou uma mobilização internacional, especialmente entre cineastas como Ken Loach, Pedro Almodóvar e Wim Wenders.

Em 2018, enquanto detido, recebeu o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu.

“Comecei minha carreira de diretor aos 30 anos, tirei uma folga numa prisão russa, voltei ao cinema e agora estou no exército”, resume o cineasta.

Ele abandonou sua câmera sem cerimónias em 24 de fevereiro, dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia.

“Levei minha família para Lviv (oeste) porque me envolvi novamente na defesa territorial de Kiev”, então sob ameaça das tropas russas, explicou.

Sem treinamento militar, o diretor passou semanas em postos de controlo antes de seguir para as linhas de frente no norte da capital.

Desde então, ele continuou treinando e “aprendendo”, insiste, juntando-se a uma unidade de forças especiais encarregada de abater helicópteros e drones russos.

“Faço parte de uma unidade de apoio e defesa de inteligência, dos grupos que operam especialmente o Stinger”, os lançadores de mísseis terra-ar usados contra aeronaves de baixa altitude.

Sente falta do cinema? “É uma parte importante da minha vida, mas apenas uma parte”, responde Sentsov, que não pôde ver o seu presidente, Volodimir Zelensky, quando discursou no festival de Cannes em maio.

“Hoje vivo em um mundo totalmente diferente, onde tudo tem a ver com a guerra”, acrescentou o cineasta, que viu os combates de perto. Mas “no final, a Ucrânia vencerá porque está travando uma guerra por sua existência”, considera Sentsov.

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